Imagem de capa: crédito Didi Kotait (grupo fotos antigas de Cândido Mota, SP)

Cândido Mota – SP

Conhecida carinhosamente como o Gigante Vermelho do interior paulista, Cândido Mota carrega em sua terra vermelha e fértil a força da sua história.

Fundada por desbravadores no início do século XX, a cidade cresceu ao redor da fé e do trabalho, e até hoje preserva com orgulho as tradições, os costumes e o acolhimento de uma autêntica cidade do interior.

Venha viver essa experiência.

Boa viagem!

Quem foram os desbravadores de Cândido Mota?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer a coragem dos desbravadores.

Foram eles que, ao adentrar a mata fechada, abriram caminho — com facão e determinação — para a futura exploração e povoamento do que hoje conhecemos como Cândido Mota.

A empreitada não foi fácil.

O terreno acidentado, as doenças tropicais, o contato com os povos indígenas que já habitavam a região e a escassez quase total de recursos básicos fizeram muitos recuarem.

Mas para aqueles que ficaram, havia um motivo maior: o imenso potencial econômico de uma terra vermelha, fértil e promissora.

Foi essa promessa de prosperidade no interior paulista que moveu homens e mulheres a arriscar tudo.

Com o passar do tempo, o esforço desses pioneiros foi decisivo para a ocupação e o desenvolvimento de todo o oeste paulista — fundando cidades, trazendo a ferrovia, construindo as primeiras estradas e impulsionando a economia local.

Neste artigo, vamos fazer exatamente isso: passear pela história.

Através de registros escritos e fotos históricas dos primórdios, vamos reviver os primeiros passos do nosso Gigante Vermelho.

Começamos com uma imagem icônica: a Avenida Coronel Valêncio.

A principal via da época e o coração do povoado, era por ela — e pela estação férrea ali instalada — que Cândido Mota se conectava ao mundo, recebia novos moradores e escoava sua riqueza.

Por que o Governo de São Paulo criou a Companhia Colonizadora Paulista?

Foi em 1887 que o Governo do Estado de São Paulo criou oficialmente a Companhia Colonizadora Paulista (CPP). Mas qual era sua real missão? Na época, o interior ainda era um território quase desconhecido.

O objetivo da CPP era, portanto, mapear o sertão: levantar informações sobre o número de rios, a qualidade e a extensão do solo cultivável, as riquezas minerais e florestais, além da quantidade e localização das populações originárias — os povos indígenas.

Para entender a criação da CPP, precisamos olhar para o cenário do Brasil e do mundo naquele período.

Anos antes, em 18 de setembro de 1850, o Imperador Dom Pedro II promulgou a Lei de Terras.

Foi ela que organizou a estrutura fundiária do país, transformando as terras devolutas em propriedades privadas e oficializando o que hoje conhecemos como as grandes fazendas — os latifúndios.

No mesmo ano de 1850, outra lei mudaria o futuro do país: a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu definitivamente o tráfico transatlântico de escravos.

A partir dali, o Brasil não poderia mais receber escravos vindos da África, o que forçou o país a repensar toda a sua mão de obra e ocupação territorial.

Fechando esse ciclo de transformações, entre 1851 e 1852, o Brasil se envolveu em um importante conflito internacional: a Guerra contra Oribe e Rosas, conhecida como Guerra da Prata, ao lado do Uruguai contra as forças da Argentina.

É nesse contexto nacional de reorganização de terras, fim do tráfico e disputas territoriais que, quase quatro décadas depois, surgiria a Companhia Colonizadora Paulista — a semente que daria origem a Cândido Mota.

Como a mata fechada virou lavoura e cidade

Foi assim, de forma gradual, que o cenário local começou a mudar.

As matas cerradas deram lugar às primeiras lavouras e à criação de animais domesticados — em regime de engorda e pastagem — como cavalos, bois, porcos e galinhas, que garantiam a subsistência e a economia dos primeiros moradores.

É fundamental lembrar, contudo, que esta região já tinha seus donos.

Muito antes da chegada dos colonizadores, estas terras eram habitadas pelos povos originários, nossos ancestrais indígenas.

Neste momento não vamos nos aprofundar na história deles, mas deixamos aqui nosso respeito: em um próximo capítulo, prestaremos as devidas homenagens a esses primeiros habitantes, verdadeiros guardiões desta terra.

Na sequência desse processo de ocupação, chegaram os mineiros.

Vindos principalmente de Minas Gerais, em decorrência da crise do ouro e da mineração, eles migraram em grande número para o interior de São Paulo em busca de novas oportunidades.

Um desses pioneiros foi José Teodoro de Souza, que já em 1850 chegou à região de Botucatu, abrindo caminho para que, décadas depois, a marcha para o oeste alcançasse as terras onde hoje está Cândido Mota.

A Interiorização do Estado de São Paulo

Nesta parte da história, destaca-se um fenômeno fundamental: o processo de entrada para o interior do estado de São Paulo.

Os historiadores chamam esse movimento de interiorização — e não imersão.

Num primeiro momento, os colonizadores portugueses ocuparam apenas o litoral.

Era mais seguro, facilitava o contato com Portugal e garantia o escoamento do pau-brasil e da cana-de-açúcar.

Com o passar dos anos, no entanto, a escassez de matéria-prima no litoral e a busca por novas riquezas fizeram com que esses colonizadores sentissem a necessidade de avançar, cada vez mais, rumo ao sertão desconhecido.

Esse movimento de interiorização está diretamente ligado ao sistema das Capitanias Hereditárias. Criadas em 1534, elas foram a primeira forma de divisão administrativa e territorial do Brasil, quando o país foi dividido em 15 grandes faixas de terras doadas pela Coroa Portuguesa a donatários.

Foram essas capitanias que, anos mais tarde, deram origem às Entradas e Bandeiras — expedições que desbravaram o interior e abriram caminho para a fundação de cidades como a nossa Cândido Mota.

Publicar comentário