Vereador Perandré: da raiva à reflexão

Vereador Perandré, Assis/SP

Vereador Perandré: da raiva à reflexão

Vereador Perandré é tema desse post.

Na última segunda-feira (6), acompanhei a sessão da Câmara Municipal de Assis (SP).

Confesso que saí do plenário frustrado com a mudança de voto do vereador Antônio Carlos Perandré (MDB), popular Carlinhos Perandré.

Naquele momento, a sensação era de indignação.

Com o passar das horas, porém, resolvi fazer aquilo que considero indispensável em qualquer análise política: refletir antes de julgar.

Vereador Perandré no pedido de CP

O cidadão Adilson Rogério de Azevedo protocolou, na Secretaria da Câmara, um pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) com o objetivo de apurar eventuais irregularidades relacionadas à contratação dos serviços da Unidade de Pronto Atendimento (UPA – Rui Silva).

Após a leitura do documento — um relatório detalhado e cuidadosamente elaborado pelo autor da denúncia — a matéria foi colocada em votação eletrônica.

O primeiro resultado (Vereador Perandré votou a favor)

O painel eletrônico registrou empate: sete votos favoráveis ao recebimento da denúncia e sete votos contrários.

Votaram pelo prosseguimento da denúncia

  • Fabinho Alerta Verbal;
  • Fernando Sirchia;
  • Fernando Kiko;
  • Português;
  • Carlos Perandré;
  • Roni da Farmácia;
  • Timba.
Votaram pelo arquivamento
  • Paulo Paçoca;
  • Lucas Gomes;
  • Carlinhos Zé Gotinha;
  • Jé Canela;
  • Gerson Alves;
  • Pastor Edinho;
  • Douglas Azevedo.

A falha no painel mudou os rumos da votação

Durante a sessão, porém, ocorreu uma falha técnica que impediu o presidente da Câmara, Paulo Matioli, de registrar seu voto pelo sistema eletrônico.

Diante da situação, foi determinada a realização de uma votação nominal.

Foi nesse momento que aconteceu o fato que mais chamou minha atenção: contudo, o vereador Carlos Perandré alterou seu voto. Se antes havia se manifestado favoravelmente ao recebimento da denúncia, porém, na votação nominal passou a votar pelo arquivamento.

Com isso, todavia, o placar final ficou em oito votos pelo arquivamento e seis favoráveis à continuidade da investigação, tornando desnecessário o voto de desempate do presidente da câmara.

Minha primeira reação

Minha reação foi de profunda decepção.

Naquele instante, portanto, parecia incompreensível que um vereador pudesse alterar sua posição poucos minutos depois de já tê-la manifestado publicamente.

Se eu tivesse escrito este artigo logo após a sessão, certamente teria produzido um texto movido pela emoção e pelo excesso.

Felizmente, não o fiz. Simples assim!

A reflexão muda a perspectiva

Depois de pensar com calma, ademais, percebi que existe um princípio que vale para qualquer cidadão: o direito de mudar de opinião.

A capacidade de rever ideias faz parte da própria racionalidade humana.

Todos nós fazemos isso diariamente.

Mudamos uma frase enquanto escrevemos.

Reescrevemos um texto diversas vezes.

Revemos decisões.

Reconhecemos equívocos.

Voltamos atrás quando entendemos que outra escolha faz mais sentido.

Nossa inteligência não existe apenas para receber informações, mas para analisá-las, confrontá-las e, quando necessário, reformular nossas conclusões.

Felizmente, o ser humano possui essa liberdade.

O benefício da dúvida

Foi então que procurei olhar para a trajetória do vereador Carlos Perandré.

Ele pertence a uma comunidade evangélica, por isso, possui valores e princípios que frequentemente apresenta em sua atuação pública e construiu sua carreira política com persistência.

Antes de conquistar uma cadeira na Câmara Municipal, disputou seis eleições.

Essa trajetória merece ser considerada.

Não acredito ser justo concluir, no entanto, de forma precipitada, que alguém colocaria toda a sua história política em risco sem que existisse uma convicção para isso.

É possível que tenha reconsiderado seu voto por entender que a primeira decisão não era a mais adequada.

Também é possível que outros fatores tenham influenciado sua mudança.

Neste momento, apenas ele conhece integralmente as razões que motivaram sua decisão.

O tempo responderá

Na política, o tempo costuma ser o maior juiz.

As decisões dos representantes são observadas pela população.

A história registra os acontecimentos.

E, no momento oportuno, as urnas oferecem ao eleitor a oportunidade de aprovar ou reprovar as escolhas feitas por seus representantes.

Por isso, acredito que somente o tempo permitirá compreender se a mudança de voto representou uma correção de entendimento ou se havia outra motivação por trás daquela decisão.

Conclusão

Continuo sem esconder que fiquei decepcionado naquele momento.

Mas também não quero permitir que a emoção substitua a razão.

A democracia exige senso crítico, mas também exige prudência.

Da mesma forma que cobramos coerência dos representantes públicos, devemos reconhecer que toda pessoa possui o direito de rever posições quando acredita estar diante de um equívoco.

O julgamento definitivo não pertence ao calor da sessão, nem às redes sociais.

Pertence ao tempo, à história e, principalmente, ao eleitor.

Hoje, prefiro trocar a indignação pela reflexão.

O futuro mostrará qual foi, de fato, o significado daquela mudança de voto.

Acesse mais notícias e informações no site do professor Márcio Alexandre.

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